Procuro entender o Rio. Percorro suas ruas, em minhas múltiplas andanças para ir a escolas, com olhar da antropóloga que não sou. Olho as pessoas com calma e tento decodificar valores não visÃveis a olho nu. O que as move? Pergunto-me o que faz com que padrões de conduta, por vezes diversos dos meus, marquem esta cidade, agora minha cidade.
Mas é sempre em fins de semana que este exercÃcio se torna menos prosaico e desperta meu espÃrito investigativo.
Num destes domingos, entro na Livraria Travessa de Ipanema e me deparo com o José Murilo de Carvalho. Não com ele pessoalmente, embora já o tenha encontrado em duas ocasiões formais, mas com seu livro “Os bestializados”. Curiosa com o tÃtulo provocativo, decido comprar, ao constatar que se trata de uma análise de um episódio curioso da História do Rio: a revolta da vacina, ocorrida em 1904.
A leitura desta interessante obra, publicada em 1987, permite-me percorrer não só a narrativa da revolta, como os tropeços do inÃcio de uma república que não foi proclamada atendendo a clamores populares. Mostrou-me também que o povo, percebido com grandes preconceitos por quem tinha acesso à s letras e à renda, existia e tinha suas formas de se expressar.
O que mais me encantou, no entanto, talvez por meu momento de vida, foi a descoberta de um Rio que me explica suas razões, seus condicionamentos históricos. Um Rio que aprendo a amar.
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