Aqui vai um pouco da cerimônia de inauguração das novas instalações da Escola Municipal Prefeito Juarez Antunes, em Bangu, com a presença do prefeito Eduardo Paes. As fotos são de Beth Santos.
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No inÃcio de junho, participei da reunião do Conselho Internacional de Sustentabilidade da Dow. Aqui estão alguns instantâneos tirados durante esta passagem pela China.
Hoje pela manhã, com a presença do prefeito Eduardo Paes, inauguramos mais dois Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDI): o EDI Padre Nelson Carlos Del Mônaco e o EDI Doutor Domingos Arthur Machado Filho. A primeira unidade, no Jacarezinho, foi construÃda na região onde, antes, havia um ponto de crack e prostituição infantil. Em seguida, inauguramos outro EDI, em Manguinhos. Com essas duas novas unidades, o municÃpio do Rio passa a contar com nove Espaços de Desenvolvimento Infantil, uma ideia da atual gestão da Secretaria Municipal de Educação para transformar a educação na Primeira Infância.
As obras, que contaram com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), custaram, ao todo, R$ 3,2 milhões. Cada unidade tem capacidade para atender até 150 crianças, de 3 meses a 5 anos, com dois berçários, quatro salas de atividades, um espaço de primeiros atendimentos, refeitório, solário, lactário, pátio coberto, área de lazer com parquinho e biblioteca/brinquedoteca. Ali, as crianças são estimuladas a desenvolver, desde pequenas, a aprendizagem por meio da convivência com livros.
A meta é dobrar a oferta de vagas em creches até 2012. A previsão é de criar 30 mil novas vagas em creches públicas e conveniadas e outras 10 mil para a pré-escola.
A Educação Pública brasileira apresenta problemas de qualidade, mas teve, nos últimos anos, alguns avanços inequÃvocos: conseguiu-se universalizar o acesso ao ensino fundamental, introduziu-se uma cultura de avaliação da qualidade (por meio do SAEB, do ENEM e do Prova Brasil) e a sociedade civil começou a acompanhar o alcance das metas de melhoria do desempenho das escolas e de aprendizagem dos alunos.
Ainda falta muito para assegurar a manutenção dos avanços e melhorar ainda mais a qualidade: fortalecer e modernizar os currÃculos, valorizar a profissão docente e investir em formação continuada, e garantir à s crianças que não conseguiram aprender a possibilidade de reforço escolar.
Mas um grande passo para resolver alguns dos principais problemas de aprendizagem já seria dado com um investimento firme em educação infantil. Uma criança sem acesso em casa a livros, jornais e revistas acaba tendo muita dificuldade para entender a função social da leitura – o que aumenta a probabilidade de fracasso nos primeiros anos escolares. James Heckman, prêmio Nobel de Economia de 2000, mostrou em suas pesquisas que as crianças que freqüentaram creches e pré-escolas apresentavam na vida adulta renda mais alta, menores chances de prisão, Ãndices menores de gravidez na adolescência e menor dependência de programas de transferência de renda.
Ora, se há uma área em que a comunidade pode se organizar bem, desde que apoiada por financiamento público, é a área de Educação Infantil. Não por acaso, a maioria dos paÃses desenvolvidos conta com creches e pré-escolas comunitárias. Em outros paÃses, o poder público atua de forma mais direta – financiando ou mantendo creches e escolas próprias. É o caso do Brasil. Optamos por ter pré-escolas públicas e por uma combinação de creches públicas com creches conveniadas, ou seja, apoiadas com recursos do governo através de convênios. Mas o mecanismo de convênios é lento, burocratizado e de difÃcil controle. Para esta situação, o modelo de Organizações Sociais parece trazer grandes vantagens.
O que é uma organização social? É uma entidade sem fins lucrativos que assina um contrato de gestão com o poder público por meio do qual se especifica claramente o serviço a ser prestado. A OS pode gerenciar um equipamento social, cultural ou cientÃfico, com metas explÃcitas de atendimento e qualidade, tornando-se assim uma parceira dos governos. Além do controle feito pelo Tribunal de Contas, as ações de uma OS também podem ser fiscalizadas diretamente pela sociedade com o monitoramento pela Internet do contrato de gestão.
Neste sentido, as organizações sociais diferenciam-se muito de ONGs que funcionam para terceirizar pessoal em equipamentos públicos ou mesmo dos convênios assinados para parcerias com entidades privadas ou do Terceiro setor. A OS assume o gerenciamento e responde por ele. A gestão pública moderna não pode prescindir de boas parcerias com a sociedade civil. Hoje, elas existem na maior parte do mundo - inclusive no Brasil. Em São Paulo, pude acompanhar o sucesso da sua implantação em mais de 20 hospitais, em teatros, orquestras, museus e centros culturais. A Pinacoteca do Estado, por exemplo, ganhou grande dinamismo através da parceria com a Associação de Amigos. E o Museu da LÃngua Portuguesa e o Museu do Futebol não poderiam ter sido implantados sem as OS.
Para dar um salto na oferta de vagas em creches, não será possÃvel assegurar boa qualidade e velocidade de implantação, se não contarmos com um instrumento assemelhado. Nossas crianças merecem.
Com os recentes problemas na economia grega que ameaçam contaminar não só a Europa, mas o mercado global, tem-se usado muito o termo tragédia grega como jogo de palavras, brincando com as duas possÃveis acepções do termo. Falo aqui, no entanto, das tragédias gregas de EurÃpedes, Sófocles e, neste caso especÃfico, de Ésquilo.
Quando fiz 54 anos, em janeiro, decidi que teria pouco tempo para ler tudo o que desejo. Sou leitora voraz e mal ouço falar de um novo livro de um autor querido, corro para as livrarias (e também à loja da Amazon para Kindle, confesso) compro e interrompo o que estava lendo, para primeiro acabar a obra recém adquirida. Depois volto à anterior. “No more”, decidi. Quero ter a certeza de ter lido o que a humanidade produziu de melhor, ao longo de sua história. Assim, criei para minha leitura uma lista de livros que desejo ler com prioridade. Comecei com as tragédias gregas.
Já havia lido algumas, como a Triologia Tebana, mas mãos à obra, há um mês e meio leio tragédias. Mal posso esperar pela noite ou pelo fim de semana, para retomar minhas leituras. Hoje, acabei de ler a Oréstia, esta trilogia sobre o drama de Orestes que mata a mãe, apoiado por Electra (e inspirado por Apolo), vingando, assim, o assassinato de seu pai e da profetisa Cassandra.
A “Eumênides”, quando Atena julga o crime de Orestes e o declara inocente é uma das cenas mais belas da dramaturgia. Recomendo a todos. Não há nela vencidos e vencedores, apenas o processo civilizatório em curso e a possibilidade de redenção- inclusive das Fúrias, que acusavam Orestes. Todos ganham, especialmente a cidade de Atenas que vislumbra em cena (esperemos que na crise econômica de agora também) um caminho de glória e de paz.
No último dia 13 de maio, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, participou do evento de premiação dos melhores alunos da prova Rio e seus respectivos professores. O dia lindo ajudou a emoldurar esse momento importante de valorização da qualidade do ensino. Parabéns a todos.
Recebi, com muita alegria, o tÃtulo de Cidadã Carioca. Foi proponente a veradora Rosa Fernandes, a quem não conhecia antes de assumir meu cargo de secretária de Educação do Rio. A notÃcia veio antes da festa e deixou-me particularmente lisonjeada. Sim, sei que algumas destas honrarias podem ser inerentes ao cargo. Recebi também outras comendas e sou, mesmo, cidadã honorária de outras cidades. Afinal, ocupei muitos cargos públicos nesta minha trajetória técnica na Administração Pública.
Mas tenho uma relação muito especial com o Rio. Quando meu pai veio da Romênia para o Brasil, esta foi sua primeira opção de cidade. Não ficou aqui por temer que a beleza das praias o distraÃsse em demasia do seu firme propósito de construir uma carreira sólida. Sorte minha, pois assim, ele conheceu minha mãe que viera da Hungria a São Paulo.
Há anos viajava para o Rio a trabalho e sempre tirava fotos da sua paisagem Ãmpar. Trata-se da cidade mais bonita do mundo, disto não tenho dúvidas. Assim, fiquei tentada, quando recebi o convite do prefeito Eduardo Paes para assumir a secretaria da Educação do municÃpio, não apenas por gostar muito desta importante polÃtica pública, mas por ser a cidade do Rio. Poder transformar a Educação na cidade, respeitando seu passado (afinal muitos vieram antes de mim e fizeram um trabalho importante na rede de escolas públicas do municÃpio), mas construindo as bases de seu futuro, é algo que me mobiliza a cada dia. Acordo a cada manhã extremamente motivada para este desafio que me traz uma paixão inigualável. Estou apaixonada pela Educação no Rio!
Assim, depois de um ano e quatro meses de atuação, ser reconhecida justamente por esta experiência apaixonante, trouxe-me uma dupla alegria: a de ser cidadã da cidade que amo e a de ser por conta de uma atuação que vem gerando resultados.
Foi um dia muito especial, o 7 de maio de 2010. Que meus pais, brasileiros por opção e não por nascimento, possam ter justo orgulho de sua filha, que uma cidade, que não a sua, quis ter por habitante!
Visitei, na última quinta-feira, a Escola Municipal Grandjean de Montigny, instituição que apresentara excelentes resultados na Prova Rio. Fui lá para agradecer aos professores pelo trabalho realizado nesta unidade escolar da região da Pavuna. Como faço, com frequência, nestas ocasiões, perguntei aos alunos de 4o ano quais eram seus sonhos. Para preparar o clima, disse-lhes que o prefeito, o presidente, grandes atletas, todos haviam sentado em carteiras escolares como eles e tiveram seus sonhos. Afirmei que a escola dá ensino de qualidade, mas que o sonho era de cada um e que gostaria de que, depois de terem construÃdo seus sonhos quando adultos, eles se lembrassem que um dia lhes disse que precisariam se empenhar para transformá-los em realidade.
Neste momento, uma menina de cerca de 9 anos começou a chorar, emocionada. Baixinho disse: quero ser veterinária. Que ninguém lhe roube os sonhos e que ela possa, com educação de qualidade e com energia para perseguir seu projeto, tornar-se o que sonha ser. Amém!
A cada duas semanas, tenho a oportunidade de voltar a São Paulo, para visitar meus filhos e meus pais idosos. É um momento muito especial que me permite entrar em contato mais Ãntimo com suas alegrias ou desventuras. Mas é igualmente nestas ocasiões que me dedico a minha biblioteca pessoal.
Explico: reuni, ao longo de mais de trinta anos, um acervo de cerca de 8.000 livros que, se não incluem raridades próprias de alguns amigos bibliófilos, ao menos contemplam um conjunto de obras de diferentes campos cientÃficos e das artes, e um bom número do que considero o melhor da literatura brasileira e internacional.
Leio, geralmente, de forma desorganizada, movida por paixões do momento. Há fases em que, além dos livros e estudos próprios da minha área de trabalho, me ocupo muito de filosofia, outras em que a história ou a economia atraem minha atenção. E, naturalmente, agarro as obras literárias que, por algum motivo, encontram meu olhar em livrarias ou nas estantes das bibliotecas (inclusive da minha).
Mas esta desorganização tem seu preço. Sinto que o tempo avança e coloca com clareza os limites das minha possibilidades de leitura. Não consigo ler tudo de bom que é publicado. Alguma forma de seletividade se impõe. Decidi, então, que quero ao menos ler os clássicos, ou o que Harold Bloom chama de Cãnone Ocidental (completado por uma ou outra obra de outras tradições).
Já li diferentes obras das listas comumente publicadas neste sentido, mas falta muito ainda. Assim, organizei minha própria lista e comecei na última semana meu novo empreendimento de leitura.
Corri para a Internet e adquiri da Cultura o que me faltava dos gregos. Tendo já lido a Trilogia Tebana e muito de Platão e Aristóteles, comecei com as tragédias gregas. Que prazer: li quase sem interrupções, em voos e a cada noite as tragédias de EurÃpedes. Como pude só agora ler As Troianas? Vi a representação desta tragédia quando adolescente, mas não havia pensado em ler esta obra em que as mulheres de Tróia, lideradas por Hécuba, a viúva de PrÃamos, são levadas cativas e lamentam sua triste sorte. A cena da cidadela incendiada e a do pequeno Astiânax, carregado morto sobre o escudo de seu pai, o valente Heitor, fruto da crueldade dos gregos, trouxe-me um retrato de todas as guerras, de todos os exÃlios e de todas as escravidões. “Membros meus muito frágeis”, geme a idosa Hécuba “Levai-me, conduzi-me na marcha forçada. Comecemos a triste jornada até nosso cruel cativeiro”. “Ai, Adeus, minha triste cidade!”- completa o coro.
Quantas cenas como estas, sem a plasticidade da obra ficcional do século V A.C., a Humanidade não presenciou?
Numa de minhas visitas a escolas, informei a direção sobre a prova que aplicarÃamos na próxima semana para identificar analfabetos funcionais. O objetivo, esclareci para eles, era dimensionar o tamanho do problema para podermos então re-alfabetizar crianças de 4º e 5º anos ainda não integralmente alfabetizados.
Qual não foi minha surpresa quando a coordenadora pedagógica me pediu para incluir no projeto os jovens de 6º ano, a maior parte com 11 anos. Para ilustrar sua tese, mostrou-me produções de texto de alguns alunos desta série, em boa parte absolutamente incompreensÃveis. Tirei uma cópia de um deles e, ocultando o nome da criança, mostrei à equipe. Há algo de extremamente errado na Educação das crianças do Brasil. Já havia visto algumas redações parecidas na mesma faixa etária em outras escolas públicas de outras cidades, mas neste caso, o problema estava nas mãos da equipe que lidero. Junto com o time da Secretaria, decidimos incluir os analfabetos funcionais de 6º ano na re-alfabetização.
Como chegamos a esta triste situação? Quando me deparo com o IDEB (Ãndice de Desenvolvimento da Educação Básica) do Rio, os dados parecem bons para a realidade educacional brasileira: 4,5 para as séries iniciais e 4,3 para as séries finais do Ensino Fundamental. Trata-se de um resultado superior à média nacional. Mas quando se procura entender o que há por trás deste indicador, a verdade aparece com força. O IDEB é um Ãndice sÃntese: inclui a aprendizagem das crianças, testada no Prova Brasil em 2005 e 2007 e dados de fluxo escolar, como repetência e evasão. Estes dois últimos melhoraram muito, mas a aprendizagem apresentou sérios problemas. Em 2005, apenas 33,05% das crianças do atual 5º ano mostraram nÃvel de conhecimento de Português adequado para a série em que estudavam. Pois bem, em 2007, este percentual caiu: Apenas 29,07% dos alunos demonstravam saber o esperado! Em Matemática, só 23,20% dominam o conteúdo previsto para o 5º ano.
Penso que temos uma crise de aprendizagem no PaÃs e o Rio, embora esteja melhor que outros municÃpios, não é, infelizmente, uma exceção. As escolas funcionam, os professores são de melhor nÃvel que a média nacional, os diretores atuam e parecem motivados. Então, por que as crianças não aprendem como deveriam?
Sim, a aprovação automática tem uma parte de responsabilidade na situação. De alguma maneira, houve uma incompreensão da progressão continuada e as crianças passavam para frente sem aprender. Não havia um programa estruturado de recuperação do conhecimento porventura não adquirido. O prefeito Eduardo Paes corretamente acabou com a aprovação automática e começou um esforço grande para recuperar a aprendizagem dos alunos das escolas públicas. Foi mantido apenas o ciclo de alfabetização, criado em 1999. Há hoje um consenso de que as crianças se alfabetizam em ritmos diferentes e que é importante se dar mais tempo para que o processo se construa bem, inclusive para evitar a produção de novos analfabetos funcionais. Mas, mesmo aqui, é vital haver um monitoramento firme do estágio em que a criança se encontra e a verificação da necessidade de ações de correção de rumo.
Começamos o ano letivo com todas as escolas em revisão de Português e Matemática. Cada professor recebe um caderno com orientações e cada aluno de cada série tem uma apostila com o que deveria ter aprendido na série anterior. A base é o currÃculo do municÃpio. Esta revisão dura 40 dias. No final do processo, todas as crianças são avaliadas nas duas disciplinas, para ver se precisam de recuperação. As de 7 anos recebem a Provinha Brasil, que faz um diagnóstico da etapa em que se encontram no processo de avaliação. Com estas informações, podemos iniciar a recuperação da aprendizagem de todos os alunos que dela necessitam. Cadernos de recuperação são preparados pela Secretaria com esta finalidade, dando desta forma instrumentos para o professor. Os analfabetos funcionais são re-alfabetizados por professores da rede capacitados pelo Instituto Ayrton Senna.
Não podemos deixar nenhuma criança para trás!