Agrada-me muito visitar escolas. Mais do que no gabinete, é lá que se entende como anda a Educação, como estão o ânimo dos professores, o espírito de equipe e, sobretudo, as crianças. O Rio de Janeiro tem 1.062 escolas e 254 creches. Assim, é difícil visitar a todas e, especialmente, conhecer-lhes os problemas, mas uma atenção especial aos números, junto com visitas freqüentes, permite identificar áreas que demandam mais atenção.

Tenho priorizado visitas às 150 escolas de área de risco, aquelas em que antecipo problemas maiores. Encontro lá, normalmente, ao contrário, equipes mais engajadas. Surpreendo-me, as dificuldades são tantas! Estes são, com certeza, educadores, árvores frondosas, como Rubem Alves afirmava em seu magnífico Conversas com quem gosta de ensinar.

Mas há algo que guardo para mim: o registro de um Rio de Janeiro que não conhecia. O Rio rural, apesar de não o admitir em sua Lei Orgânica, com algumas paisagens muito bonitas e o Rio das comunidades, em que a vida se torna difícil, violenta e sem futuro. Mesmo assim, as crianças riem e brincam, desafiando o prognóstico triste e injusto de que só os adultos têm ciência.

O que me deixa sem fala é o mar. Olho para ele a cada manhã em minhas caminhadas ou corridas pela orla e lembro o Vermelho Brasil, do Jean-Cristophe Rufin, que mostra de forma ficcional Villegagnon querendo construir a França Antártica no Rio, projeto derrotado não só pelos portugueses, tarefa concluída por Estácio de Sá, mas pelas guerras e desavenças religiosas que destruíam o velho continente e foram tardiamente para cá importadas. O mar me traz momentos de epifania, de revelação.