Feriado prolongado torna-se boa oportunidade para reunir os filhos. Convido Marina e MaurÃcio e aproveito para incluir o meu sobrinho, Guilherme e meus cunhados. A eles se junta meu neto Tiago que pareceu gostar da possibilidade de conviver com os dois rapazes.
Mesmo com tanta gente, minha leitura do Ma Jian, Pequim em Coma, avançou bastante. A história recente da China vai aparecendo lentamente por meio de lampejos de consciência e memória de um estudante atingido por uma bala no episódio da manifestação estudantil de 1989 na Praça da Paz Celestial. Conto-lhes algumas partes que me chamaram mais atenção. A morte de 3 milhões de chineses na Revolução Cultural, a modernização econômica empreendida por Deng Xiaoping, que pouco depois apóia a violenta repressão ao movimento por mais liberdade, a alegria que os estudantes expressavam quando tinham contato com obras de literatura universal ou até com textos de Freud. Um dos meninos comenta sobre a metáfora contida no tÃtulo- Pequim, de fato, encontrava-se em coma.
Nestes dias, fizemos várias vezes a caminhada de casa para o Arpoador. Momento de muitas conversas, brincadeiras e observação atenta da paisagem, inclusive a urbana. Dias frios, o mar não tenta ninguém. Andamos. Conto-lhes o livro e ouço suas reflexões. Na volta, fim de tarde, leio em voz alta um dos discursos radiofônicos que Thomas Mann fez durante a Segunda Guerra Mundial pela BBC . Ele se dirigia a seus compatriotas alertando-os, em 1940, da loucura em curso e que só faria se agravar. No fim das contas são fenômenos assemelhados. Dois totalitarismos. O Arpoador observa nossas conversas em silêncio.



Junho 19th, 2009 às 9:23 pm
“a alegria que os estudantes expressavam quando tinham contato com obras de literatura universal ou até com textos de Freud”
É esse tipo de alegria que gostaria que se resgatasse nos alunos da rede municipal. Lembro-me saudosamente,dos tempos em que as bibliotecas das escolas ao qual estudei,estavam sempre de portas abertas, propiciando a mim e aos meus amigos o inÃcio de uma espetacular viagem, do mundo real, ao imaginário! “Ao perguntar por mim, era certo se ouvir seja pelo corpo docente ou pelo discente a seguinte afirmativa Cláudia está na biblioteca.â€
Era lá em que me encontrava, seja antes das aulas, ou em momentos de intervalos, ali eu saciava a minha fome de aprender, de se adquirir conhecimento, não só conhecimento pedagógico, mas também conhecimento de valores, de ética, moralidades, conhecimento do meu próprio “euâ€. Naquele momento nascia uma nova cidadã!
Hoje sinto uma imensa tristeza em meu peito,quando me deparo com crianças ,que em momentos de intervalo escolar, ou antecedente as aulas poderiam estar em uma biblioteca. Quando digo poderiam refiro-me ao fato de boa parte dessas escolas terem extinguido suas bibliotecas e com isso estarem impossibilitando estas crianças em estarem participando de magnÃficas viagens, como estas que eu fiz e faço, todas as vezes que adentro uma biblioteca!
Cabecinhas ociosas, sedentas de cultura, na busca de sua identidade enquanto pessoas, e enquanto cidadãs!
Mas graças a DEUS tenho um defeito que me favorece, sou TEIMOSA, e essa teimosia me impulsiona inúmeras vezes a lutar pelo direito que essas crianças têm em se adquirir conhecimento, cultura.
“A aprendizagem é um tesouro que segue seu donoâ€
Cláudia Rodrigues.
Representante do CEC segmento responsável, conselheira de pólo, (pólo V) pela 10ª CRE e estudante de PEDAGOGIA pela UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO.
“Ser voluntário é estar disposto a olhar o próximo, importar-se com ele e fazer algo de bom por ele. Motivado por valores de solidariedade, doa seu TEMPO, trabalho, recursos e TALENTO para uma causa de interesse social.â€
Junho 28th, 2009 às 9:37 pm
Claudia, lendo os seus comentários sobre Ma Jian, Pequim em Coma, e também os capÃtulos XL - O desafio chinês e XLI - Uma nova revolução, do livro “Maurice Costin - Uma vida, múltiplas trajetórias”, fico na dúvida se Pequim já saiu mesmo do “estado de coma”.Mesmo com o crescimento industrial da China e avanços em alguns setores, ainda preocupa-me a exploração desenfreada da mão-de-obra de baixo custo. Como escreveu Maurice Costin, “Não se pode esquecer, tampouco, de que há um bilhão de chineses que ainda não estão integrados ao vertiginoso processo de desenvolvimento”. Por mais belo e sugestivo que parece ser o nome da Praça da Paz Celestial, ainda prefiro, um milhão de vezes, o por-do-sol do Arpoador.