Visito a Escola Municipal Abelardo Barbosa Chacrinha. Precisamos pegar uma van para conseguir subir chegar numa das mais lindas vistas do Rio de Janeiro. Na porta, dois cachorros esperam pacientemente seus donos. Balinha sai da frente da escola e nos recepciona, feliz. Na entrada, bem no local onde os pais esperam as crianças, o cartaz do MEC informa o IDEB da escola e sua evolução de 2005 a 2007. Alguns livros foram colocados sobre uma mesa para leitura e retirada dos pais.
A sala da diretoria tem brinquedos: um leão repousa numa escrevaninha, outros animais de pelúcia alegram a sala e cobras de verdade em vidros com formol no alto de uma estante. Nas paredes, a meta de IDEB proposta pela secretaria e, logo abaixo, um IDEB mais ousado com um comentário: Avante Abelardo Chacrinha!
Seguimos para a sala de leitura. Finalmente uma aberta! Organizada, atrativa, com livros e computadores em bom estado, mas com sinais claros de que são manuseados. Os computadores não têm conexão via Internet.
Algumas mães vêm nos conhecer- são as mães comunitárias da escola. Vamos para o refeitório, onde as crianças da Educação Infantil estão almoçando. Uma gari da COMLURB passa e sorri para elas. É a Abobrinha, como ela própria se autodenomina. Ao subir constato o Cantinho da Leitura, como livros pendurados num varal baixo e três poltroninhas em cÃrculo. “Às vezes, eles se cansam das aulas e vêm aqui ler um pouco”
Passo pelas salas e pergunto quais seus sonhos. Novamente são futuros bombeiros, jogadores de futebol e professores. As meninas querem ser médicas, professoras e veterinárias. Todos exibem seus conhecimentos em cálculo mental.
A escola não tem quadra, mas usa a da comunidade, a uns 50 metros do local.
Problemas? “Na última Prova Brasil”, me conta a diretora, que há 19 anos ensina nesta escola” tivemos medo de ter um desempenho ruim. Foi na pior guerra da comunidade e a escola não pôde abrir por alguns dias”. O IDEB foi muito melhor que dois anos antes. Ao ouvir minha pergunta sobre como posso ajudar, ela pensa e propõe que a secretaria ajude a cobrir a quadra comunitária. Leva-me à quadra, onde um grupo animado de meninos e meninas joga handebol, sob a orientação da professora de Educação FÃsica. A quadra fica ao lado de um acesso a uma reserva de mata Atlântica. Ao nos aproximarmos, constatamos a presença de um micro-clima, um pouco mais frio.
Dois ex-alunos passam por lá e um abraça a diretora. Ele estava acompanhado de um cachorro um pouco molhado. “Vão já secar o cachorro” diz a diretora “ele vai se resfriar!”
A Diretora adjunta chega e pergunta: “Vocês não estão amando esta escola?” Sim, devo confessar que sim.
13 Julho 2009



Julho 13th, 2009 às 7:01 am
Claudia, mais um relato lindo, sensÃvel e emocionante das suas andanças pelas escolas e recantos do Rio de Janeiro. Mais um registro real das preocupações dos gestores e dos professores em relação ao IDEB.Mais uma oportunidade para confirmar que a presença dos pais, dos responsáveis, da famÃlia, é muito importante para o sucesso da educação como um todo. Mais um indicativo do quanto tem sido fundamental a manutenção em pleno funcionamento das Salas de Leituras nas escolas do Rio de Janeiro.Tomara que as boas experiências da Escola Municipal Abelardo Chacrinha Barbosa possam ser aproveitadas e adaptadas para outras unidades escolares da nossa rede.
Julho 20th, 2009 às 12:02 pm
Olá Secretária Claudia Costin,
Li o artigo “Superação nas escolas” e me senti impulsionado, enquanto educador, participante dos movimentos comunitários e comprometido com a educação a propor que, mais do que esboçar emoção nas ações polÃticas do estado, devemos agir para propiciar que um modelo educacional carregado de justiça social ecloda na cidade. Aliás, poderÃamos modificando o nome do projeto “Escola do amanhã”, reconhecendo que elas já são escola hoje e esse estigma relega as áreas mais empobrecidas da cidade o peso de problema: o que por si não incentiva a auto-estima de ninguém.
Outra coisa séria é como está sendo tratado a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira e Ãndigena, que poderia contar com material paradidático e com trabalhos multidisciplinares, com a finalidade de um dia vermos os negros e os descendentes de Ãndios se orgulharem de suas histórias, como os judeus o fazem quando choram o holocausto.
O método Paulo Freire, que impulsionou a juventude em décadas passadas está aÃ, só não pode ser desfigurado em polÃticas centradas a partir da métropole, pois assim não estará sendo libertário como o modelo pede. Espero o sucesso da prefeitura do Rio na questão educacional, mas tem de fazer a abertura para a educação popular tornar-se uma alternativa enquanto proposta de construção de democracia participativa, onde todos se conscientizam das suas responsabilidades e ajudam na construção do espaço coletivo.
Forte abraço e boa sorte!
Aliás, feliz dia do amigo, pois a câmara de vereadores a fez amiga do Rio de Janeiro e o Rio somos nós.
Julho 29th, 2009 às 10:03 pm
Prezada Claudia Costin, há algum tempo venho querendo falar-lhe, na verdade, ainda não havia feito isso porque desejava que fosse de uma maneira o menos cerimoniosa possÃvel. Há pouco, resolvi procurá-la via internet e acabei contemplada com seus textos e até me emocionando com alguns de seus relatos, principalmente, aqueles em que você expõe toda a sua sensibilidade com relação ao verdadeiro rosto da escola pública do Rio de Janeiro. Sou professora da Rede no cargo de professor II. Venho lutando há anos na 2ª CRE para conseguir atuar no PEJA noturno numa de minhas matrÃculas, pois sou pesquisadora/mestre em Educação pela UFRJ e preciso de disponibilidade numa parte do dia. Vejo professores conseguindo isso e a mim o pedido negado. Para o doutorado em 2010, a saÃda acabará sendo a encontrada por tantos professores pedir exoneração de uma matrÃcula? Pense com carinho sobre uma solução a respeito.
Setembro 23rd, 2009 às 10:11 am
Prezada Senhora Secretária de Educação,
GostarÃamos de informar que nossa escola (Abelardo Chacrinha Barbosa – Rocinha) está trabalhando com o UERÊ e também com o contra-turno e que todas as crianças, professores e equipe estão sentindo a mudança no comportamento, aprendizagem das crianças bem como a satisfação e aumento da freqüência!!!
Estamos muito felizes e gostarÃamos de mais uma vez elogiar seus atos que tanto estão fazendo diferença para qualidade da educação e principalmente para qualidade de vida e felicidade das nossas crianças tão abandonadas e desprovidas de projetos como este por longos anos!!!
Parabéns!!!
Aproveitamos para agradecer a linda mensagem “Uma escola no alto do morro†registrada em seu blog!!!
Informamos ainda que Balinha pariu oito “confeitos†dia 18!!!
Julho 30th, 2010 às 11:20 am
oi Claudia,venho com muito orgulho para parabenizar a equipe de educação da escola abelardo chacrinha,pelo amor e dedicação pelos os alunos.para falar o quanto é importante a escola no alto do morro,mas infelismente um sonho tá na mira de ser destruido,mas o Deus que servimos é maior,mas eu creio que nossa escola vai voltar é o que deseja os pais e alunos,quero dizer o quanto é importante o contra turno na vida do nossos filhos desse jeito podemos sonhar com o futuro certo para eles…e quase esqueci “escola no alto do morro” dá para fazer um livro….estamos muito feliz com a educação que a escola oferece,samos grata.