Fim de semana em São Paulo. Assisti, a convite do Marcos Caruso, a estréia da peça As pontes de Madison e me emocionei. Sincronicidade jungiana absoluta. Primeiro pois almoçara na véspera com o Roberto Civita e falamos, entre outros temas, de escolhas e destino, tema importante na peça. Também pois o Marcos, que conheci quando adolescente, contracena com Jussara, sua ex-mulher que igualmente viveu um momento engraçado comigo quando ambas tÃnhamos filhos pequenos. Finalmente, pois fui visitar, no dia seguinte, os meus meninos de São Bernardo, para quem havia coordenado um cÃrculo de leitura com o Banquete de Platão e outro com dois livros de Guimarães Rosa. Chego na casinha e eles estão discutindo Machado de Assis, mais esepcificamente destino e vocação. Falo-lhes da peça. Um havia assistido o filme e eles me pedem que lhes conte como o destino e a vocação aconteceram em minha vida. Depois de falar constato como cresceram e como sinto falta deles. Ser secretária da educação leva a um olhar mais a floresta que cada árvore. Aline, minha arvorezinha querida, como foi bonito ver você, a menina que gosta igualmente de Platão e de Harry Potter!
19 Julho 2009



Julho 21st, 2009 às 7:35 pm
Claudia, como é bom ler seus comentários que falam de Platão, de Machado de Assis, de Guimarães Rosa, mas também de Harry Potter. Que bom saber que a Aline, a sua “arvorezinha querida”, gosta igualmente de Platão e de Harry Potter. Assim, Claudia, compreendo bem melhor o texto da crônica de Arnaldo Bloch (Edu Lobo é irado, tá ligado bródi?) publicada no sábado passado (18 de julho de 2009) no Segundo Caderno do Jornal “O Globo”. Se a Aline gosta igualmente de Platão e de Harry Potter, por que outros jovens também não podem gostar de Edu Lobo, do Villa-Lobos e também do funk? Arnaldo Bloch escreveu: ” — Quer saber? Cansei dessa conversa de
que a juventude não lê. E, se não lê, de quem
é a culpa? Dos professores, do ensino, do des-
prezo pelo conhecimento de humanidades,
do espÃrito de competição acirrada e de inte-
resse ultraespecializado, da falta de ideias e,
sobretudo, da ausência de um chefe de Esta-
do que faça a revolução pela educação, aque-
la que ninguém tem coragem de assumir co-
mo prioridade? — discursei. Para concluir: ” Culpar a juventude é o mesmo que culpar a
polÃtica, o jornalismo, o direito, a medicina,
pelos erros do polÃtico, do jornalista, do juiz,
do médico. O mesmo que culpar o funk pela
violência dos indivÃduos. É o medo de olhar
para o umbigo da própria ignorância, o enve-
lhecimento das ideias, a preguiça de transfor-
mar, de compreender as novas falas quando
estas anseiam por conhecimento mas rejei-
tam o bolor e o peso de métodos, currÃculos e
formações ora substanciais no conteúdo e ve-
lhas no código, ora vazias de saber e mais mo-
dernas que a modernidade.
Viva a juventude. Viva Edu Lobo. Viva o
funk. E viva a educação. ” E VIVA TAMBÉM A ALINE, A SUA ARVOREZINHA QUERIDA!