Vira a Eliane em reuniões de diretores , alegre e amistosa. Mas são mais de 1.300 diretores. Não tinha idéia da localização de sua escola.
Um dia, chega a notÃcia que, nas férias escolares, uma diretora convidou os alunos de 5o ano, para, por meio de atividades lúdicas, rever os conteúdos de matemática.
Achei admirável e quis ir visitar esta escola- que, por ser uma das unidades nas áreas mais violentas do Rio, fora incluÃda no cronograma de visitas deste ano, mas um pouco mais para frente.
Ao chegar, as bandeirinhas da festa junina estavam sendo recolhidas. Afinal, a festa fora na semana anterior- na verdade, uma festa julina. Eliane, Ã porta, pronta para exibir sua escola. Alegre, comenta o sucesso da festa e mostra fotos dos alunos no mural da escola.
Duas crianças nos seguem e tiram fotos: são os repórteres do jornalzinho da escola que conta apenas com educação infantil e de 1o a 5o anos. Atentos a sua função, os jovens jornalistas anotam e fotografam tudo.
Encontro outras crianças em duas salas, uma de Português e outra de Matemática. Pergunto como surgiu a idéia. Diz Eliane que, na segunda prova bimestral todas as séries melhoraram as notas, menos o 5o ano. Assim, achou que era seu papel fazer algo para que este mau desempenho fosse superado antes que fosse tarde.
Constato que as atividades escolhidas para ensiná-las são mesmo lúdicas e todos parecem contentes de estar na escola nas férias. Não usam uniformes, conversam fácil.
Pergunto, na primeira sala, quais seus sonhos. Os meninos preferem ser jogadores de futebol, bombeiros, militares. As meninas falam de professoras, médicas, veterinárias. Uma menina atenta diz que quer ser bióloga, um rapazinho prefere ser empresário. Conto que terão laboratórios de ciências em cada sala de aula. Os olhos da pequena “bióloga” brilham.
Na outra sala me ouvem e respondem às minhas perguntas, mas não interrompem o que estão fazendo:um jogo chamado Calculando, inspirado no Soletrando do Luciano Huck.
Vamos para a sala dos professores e descubro que esta diretora é filha de outra, já falecida, que tem uma escola com seu nome na região: Vera Saback. Eliana está mudando o futuro destas crianças, como sua mãe provavelmente tentara fazer.
Lembro do texto de Stendhal sobre a vida de Mozart. Em um trecho, um estranho vem visitar Mozart, já muito fraco, e lhe solicita a composição de um réquiem. E Mozart dedica-se noite e dia à obra, chegando a comentar:
- “Uma coisa é certa, é para mim que faço esse Réquiem; servirá para meu serviço fúnebre”.
Queremos dar um sentido à vida e criamos obras. Alguns fazem edifÃcios imponentes, outros criam possibilidades de futuro.
Eliane, uma diretora especial.
1 Agosto 2009



Agosto 2nd, 2009 às 4:09 pm
Cara Cláudia,
Hoje, bem cedo, vi o Globo comunidade e tive oportunidade de ver a sua imagem, como Secretária Municipal de Educação, falando sobre “Informática em sala de aulaâ€, tendo apreciado suas colocações. Ao buscar sua biografia, deparei-me com este site e textos maravilhosos, como este que posto comentário.
Como sempre participei dos eventos estudantis tanto quando minha mãe era diretora, quanto agora com a administração da minha irmã, sinto necessidade de externar o sentimento ao ler este artigo.
Fiquei muito emocionado com as palavras que dirigiste à minha irmã Eliane e como descreveste a satisfação que ela tem em receber as pessoas (autoridades inclusive) que demonstram interesse pela melhoria da educação em nosso municÃpio. Eliane, desde a mais tenra idade, acompanhava a mãe - Vera Saback, em todas as atividades educacionais desenvolvidas pelo magistério. Com a mãe aprendeu a ter um carinho especial e muito respeito, pelas crianças das escolas que colaborou, principalmente por serem localizadas em áreas de carência muito acentuada.
Das poucas vezes que tive oportunidade de estar ao lado dela, em contato com o corpo docente, vejo-a apoiando, dialogando, conversando e cooperando com a solução de problemas educacionais e pessoais… Sempre me diz que: “Se os professores estiverem tranqüilos, a performance na transmissão de conhecimento será a melhor possÃvel  Constato isso quando vejo um corpo docente alegre e participativo; também percebo, quando vejo a empolgação do corpo discente ao entoar o Hino Nacional todas as segundas feiras, tradição herdada da antiga diretora. A comunidade é sabedora da verdadeira função de uma escola, quando lota os quadros de matrÃculas (da Escola Affonso Várzea) todos os anos, desde a sua inauguração.
É com satisfação que vejo a abnegação e o empenho das diretoras dessa escola, serem reconhecidas de forma tão honrosa e elogiosa… Primeiro para a ex-diretora Professora Vera Saback Sampaio, que teve seu esforço em prol da educação básica (em nosso municÃpio) reconhecida quando foi-lhe feita uma justa homenagem, tendo seu nome na Escola Municipal Professora Vera Saback Sampaio e agora para a atual diretora Professora Eliane Saback Sampaio, servindo para que outras diretoras possam seguir o seu exemplo e empenho na preparação das nossas crianças.
“Valorizar as suas bases é garantia de ascensão garantida e estávelâ€.
Fique bem e esteja bem!
02-08-2009
Novembro 18th, 2009 às 9:46 am
Claudia,
O grupo das diretoras do Alemão é realmente especial,são mulheres batalhadoras, super profissionais e verdadeiras heroinas.O depoimento da LÃdia expressa a importância da PolÃtica de Pacificação, ponto fundamental para o sucesso dos Bairros Eduacdores.
Um grande Abraço ,
Bia Novaes-Projeto Aprendiz Rio