Minha paixão por leitura rendeu-me experiências interessantes. A primeira foi conhecer a Biblioteca Infanto-juvenil Monteiro Lobato, onde dos 12 aos 16 anos passava parte das minhas tardes. Em seguida, foi o fato de viver em uma casa com pouco espaço para enfeites e quadros, dado que os livros ocupam todo o lugar. Mas uma das coisas mais lindas de que me lembro em relação aos livros, foi minha relação com meu tio Aristide.
Aristide era bibliófilo. Tinha uma biblioteca imensa, repleta do que há de melhor na literatura francesa, russa e romena. Ao observar meu interesse pelos livros, prometeu-me que herdaria sua biblioteca. A cada visita minha a Paris, onde ele vivia, testava meu francês e minhas leituras para ver se havia feito uma boa escolha. Sim, eu cuidaria dos livros e sim, leria todos os que pudesse.
Morto em 1987, sua esposa, Gallia, sobreviveu mais uns 15 anos. Não queria lembrá-la da promessa de meu tio, para que não se angustiasse, mas um dia ela me perguntou o que desejaria receber quando ela se fosse. Lembrei-a da promessa de meu tio. Ela me propôs então que, a cada vez que a visitasse, levasse um ou dois livros, para começar a instalar a nova área da minha biblioteca pessoal.
Gallia morreu em 2000 e recebi 40 caixas de livros, que custaram a ser liberados, dada a desconfiança da Aduana. Inicialmente, deixei-os separados dos meus livros, como uma sala “Aristide”. Alguns anos depois, julguei que já poderiam viver juntos, os meus livros e a bela coleção do meu tio. No entanto, pouco espaço sobrou para hospedarmos nossos 4 filhos que vivem fora de casa ou outros visitantes.
Esta semana, ao ir à livraria Travessa, encontro o interessante estudo de Herbert Lottman, chamado “Rive Gauche: escritores, artistas e polÃticos em Paris 1934-1953″. Reencontro-os lá todos, os autores dos livros do meu tio. Leio-o com avidez, como quem lê um livro bem escrito sobre um antepassado querido.



Agosto 10th, 2009 às 7:28 pm
Seu relato, sempre sensÃvel e delicado, me lembra um livro de Bartholomeu Campos Queirós, “Indez”. Um primor em termos de formação do leitor! IncrÃvel como a relação do indivÃduo com a leitura nasce muito antes mesmo de se aprender a “ler”… passa pela afinidade com outro leitor; uma herança de sentimentos e paixões. Isso me faz pensar que, se muitas vezes não temos em nossa escola famÃlias leitoras, precisamos, sim, de professores apaixonados e leitores. Precisamos transformar a herança que não existe em um eficaz “contágio”. Um belÃssimo caminho para atingirmos, de fato, uma “cidade de leitores”.
Agosto 13th, 2009 às 1:39 am
Olá,
Sou professora de um escola municipal do Rio e descobri esse blog procurando mais informações sobre você.
Admiro seu empenho em melhorar a educação do RJ e de ir tomando atitudes imediatamente. Estamos aprendendo enquanto fazemos. E não podÃamos adiar mais essas mudanças.
Sou grata a Deus por ter me colocado na melhor profissão do mundo, porém confesso que já estava desanimando com todas as dificuldades que enfrentamos.
Agradeço por ter reacendido essa paixão em mim. Estou mais profissional e agora trabalho com metas, incluindo meus alunos e seus pais no planejamento para o alcance de nossos objetivos.
E tem mais… Há muito tempo que eu não lia um livro por prazer e agora, emendo um livro no outro. Nem terminei um, já estou separando o próximo para ler. Os livros da biblioteca do professor vieram bem nesse momento, do meu resgate da leitura.
As vezes temos paixões adormecidas, que o dia a dia acaba escondendo atrás de tantas preocupações e falta de tempo, então precisamos de alguém que as traga à tona. Alguém com dedicação como você. Continue investindo nos professores, como seu tio investiu em você. Tenho certeza que conseguirá o que deseja.
Boa sorte!