Conta Alberto Venâncio que Fernando de Azevedo, o mineiro que revolucionou a educação do Rio e de São Paulo, foi procurado pela oposição que lhe disse que só aprovaria seu projeto de Escola Nova, caso aceitasse oferecer 50 % dos cargos da sua pasta para eles. Ele recusou. Pouco depois, o próprio prefeito da época, Prado Júnior, fez-lhe proposta igual, o que foi novamente recusado pelo sociólogo.
Desta firmeza, nasceu uma das mais profícuas reformas educacionais, em que a educação aparecia associada ao progresso humano. Colocou toda a ênfase em formação de professores e, para tanto, criou o Instituto de Educação. O principal ponto formulado por Fernando de Azevedo e seus pares, no Manifesto de 32, foi o da implantação institucional da política educacional pública, sob inspiração republicana. Interessante que, naquela época, já falava em educação para todas as crianças, que deveriam, nas escolas, se preparar para um futuro melhor, como profissionais e cidadãos, num contexto de crescente industrialização de nossa economia.
As reformas são feitas por obstinados. Gente que tem crenças fortes, conhecimento técnico e determinação para mudar as coisas. Ajuda se, além disso, estiver disposto a gastar tempo interagindo com as pessoas envolvidas para “mudar mentalidades” e se assegurar que aflorem novas verdades. ” A verdade” dizia Fernando de Azevedo “nem sempre é o que reveste caráter surpreendente, com seus aspectos inéditos, mas o que, rompendo a crosta da indiferença geral, surge das coisas esquecidas.
Maria Luiza Penna concorda com a versão de Alberto Venâncio. Ressalta o grande desafio da inclusão. Alguma coisa se perdeu na qualidade do ensino quando todos foram finalmente incluídos. Adultos que tinham apenas 4 anos de escolaridade, relata a historidora da Educação, liam e escreviam perfeitamente.