Procuro entender o Rio. Percorro suas ruas, em minhas múltiplas andanças para ir a escolas, com olhar da antropóloga que não sou. Olho as pessoas com calma e tento decodificar valores não visÃveis a olho nu. O que as move? Pergunto-me o que faz com que padrões de conduta, por vezes diversos dos meus, marquem esta cidade, agora minha cidade.
Mas é sempre em fins de semana que este exercÃcio se torna menos prosaico e desperta meu espÃrito investigativo.
Num destes domingos, entro na Livraria Travessa de Ipanema e me deparo com o José Murilo de Carvalho. Não com ele pessoalmente, embora já o tenha encontrado em duas ocasiões formais, mas com seu livro “Os bestializados”. Curiosa com o tÃtulo provocativo, decido comprar, ao constatar que se trata de uma análise de um episódio curioso da História do Rio: a revolta da vacina, ocorrida em 1904.
A leitura desta interessante obra, publicada em 1987, permite-me percorrer não só a narrativa da revolta, como os tropeços do inÃcio de uma república que não foi proclamada atendendo a clamores populares. Mostrou-me também que o povo, percebido com grandes preconceitos por quem tinha acesso à s letras e à renda, existia e tinha suas formas de se expressar.
O que mais me encantou, no entanto, talvez por meu momento de vida, foi a descoberta de um Rio que me explica suas razões, seus condicionamentos históricos. Um Rio que aprendo a amar.
10 Dezembro 2009



Dezembro 10th, 2009 às 9:46 pm
Tomara que a cidade corresponda a esse amor.
Dezembro 10th, 2009 às 11:36 pm
Ao pensar que nesta Cidade Maravilhosa seu próprio povo não conhece sua história e nem se conhece, mais uma vez admiro sua capacidade de estar atenta a este povo receptivo por si só, feliz no viver, triste no constatar e em busca de algo que em sua maioria nem sabe o que procura…
Salve Cidadã Carioca de coração…
Parabéns por sua trajetória de conquistas e iniciativas históricas em minha e agora nossa Cidade Maravilhosa!
Dezembro 12th, 2009 às 4:10 pm
Claudia, no dia 15 de novembro passado, comemoramos(!?) 120 anos da Proclamação da República. Dizem alguns historiadores que o povo teria assistido a proclamação bestializado. Hoje, com os avanços dos estudos e das teorias antropológicas, sabemos que o povo domina a sua própria sabedoria, o seu conhecimento e a sua inteligência, embora muitos ainda insistam em achar que a gente do povo é estúpida e bronca. Tomara que todos os educadores nunca percam a esperança na possibilidade de valorizar o que existe de mais sublime, que é a natureza humana, em todas as crianças e adolescentes do nosso paÃs.
Dezembro 12th, 2009 às 7:28 pm
Quando a sra. for visitar as escolas, não deixe de dar uma olhada nos refeitórios: não há merendeiras!!! Muitas escolas estão oferecendo lanche ao invés de almoço por falta de pessoal - sem contar as que não estão oferecendo NADA! Vcs querem implantar as OSs e terceirizar a educação mesmo que custe desrespeitar os direitos dos cidadãos. Além disso, os “donos” dessas ONGs são os vereadores que aceitam trocar apoio por “financiamento”!! O FUNDEB já foi avisado do que vcs estão fazendo…
Janeiro 19th, 2010 às 5:03 pm
Lendo seu blog e suas colocações, com relação ao RJ, lembro da sua ‘polÃtica’ desastrada, nos anos 90, época do então presidente Collor, em que respondia à pasta de Ministra da Administração(…); o quanto, nós servidores federais, fomos mau tratados e desrespeitados em sua gestão. Espero que o nosso RJ, tenha mais respeito e mais sorte. A sorte e o respeito que não tivemos, à época!
Muitos ‘administradores’ entram e saem pelos fundos: nós, não! Nós entramos e saÃmos pela porta da frente, pois, com muito orgulho, somos concursados.
Janeiro 20th, 2010 às 6:10 am
ExcelentÃssima Secretária, venho por meio desta mensagem expressar minha preocupação e acredito que também seja a de muitos auxiliares de creche. Gostaria imensamente de pedir seu olhar sobre nossa categotia, pois desempenhamos nossa função e exercemos também a função do professor, não estou reclamando de tal função pois me é muito prazerosa e dos meus colegas também, tenho formação Geral e estou no 4° perÃodo da Faculdade de Pedagogia. Gostariámos de sermos ouvidas(os) na certeza de que com nossos estudos, e crescendo cada vez mais possamos ser melhor observados e até mesmo desempenhamos nossas funções como o já fazemos nas creches em escolas também. Acredito que somos a categoria mais baixa dentro da secretária, porém a mais importante no universo infantil do ser humano. Peço que com muito carinho leia esta mensagem e não esqueça o belo tesouro escondido em baixo da mesa.