Hoje é Dia de Tiradentes. Celebramos este herói que morreu ao defender a ideia de que poderÃamos ser livres do jugo do colonizador. Um grande homem. Sim, temos nossos heróis, ou mesmo pessoas que marcaram a história brasileira ao ter uma papel destacado na construção da nação :homens e mulheres que defenderam ideias, romperam fronteiras do conhecimento, criaram obras de arte que se transmitiram ao longo de gerações.
Neste 21 de abril, li, com interesse, a história de S.A. Andrée, um engenheiro sueco que morreu, no final do século XIX, tentando chegar ao Pólo Norte num balão de hidrogênio. Ele e outros dois exploradores, após estudos sobre a dinâmica dos ventos e tentativas anteriores de balonismo exploratório, partiram para uma viagem que, embora mal sucedida, pois não conseguiram chegar até onde pretendiam, garntiu-lhes espaço na História. Ao serem encontrados os corpos e os diarios dos três, uns 30 anos depois, por membros de uma expedição cientÃfica, houve uma celebração na Suécia conduzida pelo rei, honrando a memória destes homens que quiseram encontrar um caminho para o Pólo, desafiando o frio, as tormentas e a fome.
Mas, há alguns anos, segundo o excelente artigo que li de Alec Wilkinsin, no New Yorker de 19 de abril, a atitude em relação aos três exploradores mudou: Andrée tem sido por vezes retratado como um homem ambicioso que, para obter fama e reconhecimento, estava disposto a conduzir seus companheiros mais jovens para a morte.
O autor e os estudos mais recentes não compartilham desta visão e resgataram o heroÃsmo de Andrée e da equipe por ele composta. Não teria sido irresponsabilidade ou pura busca de notoriedade.
Ao ler o artigo, pensei em como este fenômeno acontece aqui também: temos uma obsessão por “dismistificar os heróis”. A história seria determinada por razões econômicas e as pessoas que nela aparentemente tiveram algum papel são apresentadas como personagens limitadas, dadas as suas limitações, as suas caracterÃsticas humanas. A consequencia prática desta abordagem envolve mais do que apagar a verdade histórica- leva a uma visão do desenrolar dos acontecimentos que, em nome de uma ciência fria e isenta de romantismo, perde a riqueza do relato da magnÃfica e, por vezes terrÃvel, aventura de homens e mulheres concretos no planeta.
O ensino de História precisa resgatar nossos heróis. Não para apresentá-los de forma romantizada, mas tampouco para enfatizar determinados defeitos, de forma a mostrá-los como caricaturas de si mesmos. Tiradentes ou Andrée foram grandes homens pelo que fizeram ou buscaram fazer. Sim, o que faz deles pessoas diferenciadas é que são seres humanos como nós, com defeitos ou limitações. E vivam os heróis!
21 Abril 2010



Abril 22nd, 2010 às 10:04 pm
De fato, Claudia,houve um perÃodo bem recente da nossa História que muitos estudiosos, professores de universidades com grande prestÃgio e historiadores apostaram na desmistificação dos nossos heróis e até mesmo procuraram invalidar episódios de grande relevância nacional. Biografias de personagens históricos eram severamente criticadas. Tudo vai mudando, felizmente. Temos, por exemplo, excelentes trabalhos do professor Jose Murilo de Carvalho (sobre Pedro II) e Lilia Moritz Schwarcz (Barbas do Imperador). O próprio Tiradentes, enquanto personagem histórico, sofreu um certo “preconceito” de alguns setores que ainda questionam se ele realmente cumpriu o real papel de liderança da conjuração mineira.Com novos ares soprando em direção aos cursos de História das nossas universidades, quem sabem os heróis brasileiros não voltem a ocupar seus lugares de destaque também nos livros didáticos que são distribuÃdos aos alunos do ensino médio e fundamental?
Abril 25th, 2010 às 10:31 am
…são fragmentos que a fazem IMORTAL! …FELIZ ESCOLHA, CLAUDIOA!
abraço,
roberto…