A cada duas semanas, tenho a oportunidade de voltar a São Paulo, para visitar meus filhos e meus pais idosos. É um momento muito especial que me permite entrar em contato mais Ãntimo com suas alegrias ou desventuras. Mas é igualmente nestas ocasiões que me dedico a minha biblioteca pessoal.
Explico: reuni, ao longo de mais de trinta anos, um acervo de cerca de 8.000 livros que, se não incluem raridades próprias de alguns amigos bibliófilos, ao menos contemplam um conjunto de obras de diferentes campos cientÃficos e das artes, e um bom número do que considero o melhor da literatura brasileira e internacional.
Leio, geralmente, de forma desorganizada, movida por paixões do momento. Há fases em que, além dos livros e estudos próprios da minha área de trabalho, me ocupo muito de filosofia, outras em que a história ou a economia atraem minha atenção. E, naturalmente, agarro as obras literárias que, por algum motivo, encontram meu olhar em livrarias ou nas estantes das bibliotecas (inclusive da minha).
Mas esta desorganização tem seu preço. Sinto que o tempo avança e coloca com clareza os limites das minha possibilidades de leitura. Não consigo ler tudo de bom que é publicado. Alguma forma de seletividade se impõe. Decidi, então, que quero ao menos ler os clássicos, ou o que Harold Bloom chama de Cãnone Ocidental (completado por uma ou outra obra de outras tradições).
Já li diferentes obras das listas comumente publicadas neste sentido, mas falta muito ainda. Assim, organizei minha própria lista e comecei na última semana meu novo empreendimento de leitura.
Corri para a Internet e adquiri da Cultura o que me faltava dos gregos. Tendo já lido a Trilogia Tebana e muito de Platão e Aristóteles, comecei com as tragédias gregas. Que prazer: li quase sem interrupções, em voos e a cada noite as tragédias de EurÃpedes. Como pude só agora ler As Troianas? Vi a representação desta tragédia quando adolescente, mas não havia pensado em ler esta obra em que as mulheres de Tróia, lideradas por Hécuba, a viúva de PrÃamos, são levadas cativas e lamentam sua triste sorte. A cena da cidadela incendiada e a do pequeno Astiânax, carregado morto sobre o escudo de seu pai, o valente Heitor, fruto da crueldade dos gregos, trouxe-me um retrato de todas as guerras, de todos os exÃlios e de todas as escravidões. “Membros meus muito frágeis”, geme a idosa Hécuba “Levai-me, conduzi-me na marcha forçada. Comecemos a triste jornada até nosso cruel cativeiro”. “Ai, Adeus, minha triste cidade!”- completa o coro.
Quantas cenas como estas, sem a plasticidade da obra ficcional do século V A.C., a Humanidade não presenciou?



Maio 2nd, 2010 às 11:34 pm
As tragédias gregas são indispensáveis para quem gosta de ler. Estudei cultura greco-romana com o saudoso Junito Brandão, que contava as histórias como se tivesse feito parte delas. Claro que depois eu lia todas as tragédias com a maior satisfação. Assisti a uma representão de As troianas há alguns anos, é sensacional.
Maio 3rd, 2010 às 9:25 am
…Cláudia, …sua história de vida a FAZ uma mulher ADMIRÃVEL, sobretudo CRIATIVA e INTELIGENTE!!! espero em algum momento ter a HONRA de conhecer suas obras raras. Sou filho de um bibliófilo, homem simples do interior do Ceará. …tenho algumas fotos da nossa Biblioteca, certamente naquele acervo há obras de grande valor literário!
abraço,
Roberto1951
gurgelroberto@yahoo.com.br
Maio 22nd, 2010 às 5:47 pm
Cláudia, sou Professor II da rede e gostaria de fazer dupla regência (hora extra) no PEJA. Apesar da minha total disponibilidade de tempo pois os horários são inteiramente compatÃveis, inclusive com tempo de “uma hora necessária ao deslocamento” entre os turnos, encontrei a escola que necessita copm urgencia de professor para uma turma que se encontra sem aulas à mais de um mês e a professora está com licença médica sem alta; porém me foi informado que por ter duas matrÃculas não podera fazer dupla, pois excederia a carga horária, mas hora extra É além da carga horária normal de trabalho certo????
QUERO TRABALHAR, PRECISO TRABALHAR A ESCOLA PRECISA DE PROFESSOR, OS ALUNOS ESTÃO SEM AULA … E eu não posso fazer hora extra além da carga horária.
Meus horários são das 7:15 à s 11:45 na primeira matrÃcula e na mesma escola segunda matrÃcula das 12:45 à s 17:15. Horário do PEJA 18:30 à s 22:00 horas, portanto horário completamente viável, já que eu saio de carro da Vila do João e irei até Inhaúma na EM Eurico Salles. Aguardo sua resposta com a certeza de que serei ouvida.
Grata
Helen Ferreira MatrÃculas 10/232640-3 e 255161-2
Julho 11th, 2010 às 1:15 am
Em meio a leitura de tantas obras da tragédia grega, Clarice Lispector, tec., há tempo para fazer leituras referentes à educação, que é sua atual área de atuação. Comênio, Aristóteles, Sócrates, Piaget, Freinet, Paulo Freire…, eles encontram espaço em sua biblioteca?
Julho 11th, 2010 às 1:16 am
Em meio a leitura de tantas obras da tragédia grega, Clarice Lispector, etc., há tempo para fazer leituras referentes à educação, que é sua atual área de atuação. Comênio, Aristóteles, Sócrates, Piaget, Freinet, Paulo Freire…, eles encontram espaço em sua biblioteca?
Julho 11th, 2010 às 1:26 am
Vi seu currÃculo e é admirável… mas percebo que não é grande conhecedorada prática diária da educação, que é um fazer humano e não puramente técnico ou burocrático.
Desculpe minha sinceridade, mas me angustia ver tanats decisões serem tomadas e mudadas em tão pouco tempo.
Que tal manter uma prática ao longo do ano e, caso não dê certo, modificá-la no ano seguinte?
Só sabemos se algo é realmente bom ou ruim quando permanecemos em executar esta ação por um tempo mais extenso do que 1 mês, ou 1 bimestre.
Agosto 11th, 2010 às 12:21 am
O filósofo Aristóteles teorizou que a tragédia resulta numa catarse da audiência e isto explicaria o motivo dos humanos apreciarem assistir ao sofrimento dramatizado.
Tragédia é uma forma de drama envolvendo um conflito entre uma personagem e algum poder de instância maior, como a lei, os deuses, o destino ou a sociedade.
A Educação do Rio, na sua gestão, vem sofrendo uma TRAGÉDIA, bem diferente das tragédias gregas que apresentam finais neutros ou mesmo dubiamente felizes.