Com os recentes problemas na economia grega que ameaçam contaminar não só a Europa, mas o mercado global, tem-se usado muito o termo tragédia grega como jogo de palavras, brincando com as duas possíveis acepções do termo. Falo aqui, no entanto, das tragédias gregas de Eurípedes, Sófocles e, neste caso específico, de Ésquilo.
Quando fiz 54 anos, em janeiro, decidi que teria pouco tempo para ler tudo o que desejo. Sou leitora voraz e mal ouço falar de um novo livro de um autor querido, corro para as livrarias (e também à loja da Amazon para Kindle, confesso) compro e interrompo o que estava lendo, para primeiro acabar a obra recém adquirida. Depois volto à anterior. “No more”, decidi. Quero ter a certeza de ter lido o que a humanidade produziu de melhor, ao longo de sua história. Assim, criei para minha leitura uma lista de livros que desejo ler com prioridade. Comecei com as tragédias gregas.
Já havia lido algumas, como a Triologia Tebana, mas mãos à obra, há um mês e meio leio tragédias. Mal posso esperar pela noite ou pelo fim de semana, para retomar minhas leituras. Hoje, acabei de ler a Oréstia, esta trilogia sobre o drama de Orestes que mata a mãe, apoiado por Electra (e inspirado por Apolo), vingando, assim, o assassinato de seu pai e da profetisa Cassandra.
A “Eumênides”, quando Atena julga o crime de Orestes e o declara inocente é uma das cenas mais belas da dramaturgia. Recomendo a todos. Não há nela vencidos e vencedores, apenas o processo civilizatório em curso e a possibilidade de redenção- inclusive das Fúrias, que acusavam Orestes. Todos ganham, especialmente a cidade de Atenas que vislumbra em cena (esperemos que na crise econômica de agora também) um caminho de glória e de paz.